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01/08/2014

Oásis Santa Ângela sediou a X Assembleia Provincial

O Oásis Santa Ângela sediou um importante encontro das Irmãs Filhas de Santa Maria da Providência entre os dias 1º e 4 de abril de2014. Na ocasião, ocorreu a X Assembleia Provincial, encontro que acontece no Brasil a cada dois anos.

O encontro reuniu aproximadamente 65 irmãs da Congregação Guanelliana, dos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Brasília, Pernambuco e Ceará. Além disso, também estiveram presentes a Madre Serena Ceserani - Madre Geral da Congregação e a Irmã Milena Padovan, que foi uma das pioneiras a trabalhar no Oásis Santa Ângela, no início da obra. Ambas, vieram de Roma – Itália, para participar do encontro. 

Irmã Milena Padovan foi à primeira diretora do Oásis Santa Ângela. Ela nasceu no dia 5/11/1934 em San Martim de Venezia na região do Veneto – Itália.

A Irmã conta que quando chegou a Canela, existia apenas o terreno onde hoje está localizado o Oásis Santa Ângela. “Em 1962 me lembro que tinha só uma pedreira e um riacho que cortava o terreno”, disse. A irmã recorda que em 1968 iniciou a construção da primeira etapa da instituição, obra que foi realizada por uma empresa do ex-prefeito Günther Schilieper. A inauguração ocorreu em 1970, onde a atual administradora, Irmã Nair Benini participou do ato.

 

Lembranças da Itália

Milena Padovan destacou na entrevista algumas lembranças de sua infância, dentre elas quando perdeu o pai com apenas três anos. Além disso, ela lembrou ainda do início da II Guerra Mundial em 1939. “Tardezinha tinha momentos em tocavam os sinos e isso era sinal de desgraça, uma vez vi meus tios e avós ajoelharem e rezar achei aquilo muito triste, tanto que chorei”, lembrou. Outra lembrança triste durante a guerra foi na escola. “Quando soava o alarme como sinal de aviso tinha que sair correndo e nos esconder na encosta de um riacho”, disse.

 

Vida religiosa

A vocação para a religiosidade surgiu cedo, entre seis e sete anos. “Saia com minhas primas para ir ao cinema, mas trocava o filme para ir à Igreja e com 10 anos queria ser santa”, enfatizou.

Irmã Milena tem três irmãs e um irmão e quando tinha a idade entre 11 e 13 anos gostava de se arrumar. “Era vaidosa e recebia elogios, inclusive ia a festas, contudo lá no fundo sentia um vazio, que só era preenchido quando eu ia na igreja e rezava sozinha”, relatou.

Porém com 14 anos já estava decidida a seguir a religiosidade e com 16 entrou em um convento. “Nesta idade decidi me fazer irmã e seguir Jesus”.

 

Vinda ao Brasil

Milena lembra que estava preparando a inauguração de uma creche na Itália, quando a Madre superiora que estava vindo para o Brasil lhe perguntou se gostaria de acompanhá-la, contudo sua vinda ao País já havia sido decidida. “No momento que recebi a notícia chorei, pois sair para uma missão era se separar de tudo por muito tempo”.

Pouco depois do Natal, em janeiro da década de 1960, Irmã Milena embarcou em um navio rumo ao Brasil. “Recordo-me das pessoas acenando com lenços brancos nas mãos, foi doloroso, mas se era para seguir Jesus era bom”.

A ideia inicial era para que ficasse apenas dois anos no país, mas acabou passando por vários locais e acabou permanecendo no Brasil por 30 anos. “Trabalhei em várias comunidades e ajudei a inaugurar várias casas, mas quando cheguei fui trabalhar em Santa Maria, em um colégio, depois São Paulo e na sequencia vim para Canela”, enfatiza.

 

Simplicidade e dificuldade

Entre as dificuldades que passou, Milena lembra da morte da Irmã Lúcia, onde após o fato ficou responsável por todas as unidades da congregação no País, na época o cargo era chamado de provincial e delegada. “Foi um momento muito difícil, pois fiquei sozinha para resolver tudo. Na época, nos comunicávamos por carta e demorava muito para uma correspondência chegar na Europa e depois vir a resposta”, disse.

Em muitas comunidades em que trabalhou, ela relatou que tudo era muito simples. “Quando cheguei ao Rio de Janeiro para realizar um trabalho com crianças carentes, tínhamos apenas um quintal para desenvolver as atividades e apenas dois quartinhos. Em certos momentos tínhamos que dividir um ovo com duas pessoas”.

 

Trabalho no Oásis

Quando chegou a Canela, iniciou desenvolvendo um trabalho com crianças do bairro Santa Marta. “Tínhamos muitas dificuldades, eu ia ao comércio que era longe da casa de repouso e voltava com sacolas de doações que ajudava e muito na alimentação”. Após um período na entidade, iniciaram os trabalhos com as idosas. “Sempre que saia do Oásis via uma mulher deitada na rua e me sensibilizando com o caso, fui até o colégio dos padres e liguei para a madre superiora pedindo se poderia levá-la para a instituição a cuidar dela. Foi quando ela me disse que acolhesse os idosos ela iria construir outro prédio”.

 

Doença e volta para Itália

Em 1990, uma notícia triste a pegou de surpresa, quando foi diagnosticada com tumor no pâncreas e os médicos lhe deram apenas três meses de vida. “Disseram que eu tinha poucos dias para viver, então se era assim queria morrer e ser enterrada na Itália”. Mesmo doente e seguindo com o tratamento médico, Irmã Milena seguiu trabalhando. “Eu não pedi para morrer e nem para viver, mas acho que rezaram demais por mim, por isso sobrevivi à doença”. Mesmo fraca e lutando contra a enfermidade, desempenhou funções importantes, como quando foi a coordenadora da implantação Museu da Irmã Clara e ainda deu banho no corpo de Guanella. “Acho que Deus esperava que eu fizesse isso”.

 

Mensagem

A Irmã deixou um recado, principalmente aos mais jovens, onde destacou que tem uma preocupação com o isolamento das pessoas devido às tecnologias. “Hoje vemos pouca socialização e vejo as pessoas vivendo menos em comunidade”, destacou.

Para finalizar deixou uma mensagem para todos: “Meu desejo é que Deus ocupe o primeiro lugar na nossa vida”, finalizou. 

 

O encontro reuniu aproximadamente 65 irmãs da Congregação Guanelliana, dos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Brasília, Pernambuco e Ceará

Na Assembleia Provincial, Irmã Milena reencontrou as irmãs Maria Eni e Nair Benini (administradora atual do Oásis), que foram suas noviças quando foi diretora da instituição em Canela

 

Fotos: Mateus Fontana/Jornal Integração

 

 

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